terça-feira, 23 de setembro de 2008

34 Lições para pilotagem defensiva na moto!

Afinal, no trânsito também vivemos na margem crítica...



1- Na cidade ou na estrada, pode "PILOTAR FORTE", mas sempre com responsabilidade.

2- Diminua a velocidade quando houver incertezas, qualquer que seja, o motorzão recupera fácil.

3- Nunca pilote com álcool na cabeça, no estômago, ou nas veias.

4- Não ultrapasse sem ter certeza: visão frontal, e dos espelhos.

5- NUNCA faça conversão a esquerda em pistas de mão dupla, dê a volta no quarteirão dobrando a direita e a direita de novo.

6- Não SALTE EM LOMBADAS, este instrumento é construído para reduzir a velocidade. TODOS OS OUTROS ESPERAM QUE VOCÊ FAÇA ISSO.

7- Acredite, quando você não pilota todos os dias, perde reflexo, tenha atenção neste detalhe.

8- Acredite também, quando você pilota todos os dias , fica com auto confiança FALSA, a moto começa a ficar lenta, só que é você que tá ficando ABUSADINHO, muita atenção.

9- Em viagens , pare com frequências de 100 a 200 km, faça um alongamento , tome uma água, o vento desidrata, sua viagem ficará mais prazerosa , e você verá detalhes do trajeto que nunca imaginava que existissem.

10- Pilote sempre com a luz acesa, e de preferência com o farol "incomodando" o espelho do motorista, é garantia de que ele te viu,

11- Um carro estacionado no lado da rua, com motorista dentro, "sempre irá sair na sua frente",

12- EM CRUZAMENTOS , estradas ou cidades, O CARRO QUE ESTÁ LÁ , "parado, sempre irá cortar a sua frente" DIMINUA, mão e pé no freio.

13- Buzina e sinal de luz Necas!! , NÃO DESTROEM OBSTACULOS, então não adiantam sozinhos, para isso inventaram o freio, PODE USAR SEM MODERAÇÃO( GENTE SEM MODERAÇÃO É O FREIO TÁ.. cerrrto! ).

MUITO IMPORTANTE
14- Quando uma atitude sua ou dos outros, te derem um SUSTO, NUNCA MAIS REPITA ESSE PROCEDIMENTO, e evite o dos outros.

15- Quando for inevitável uma parada de emergência , daquelas em que o pneu trazeiro trava , e vai arrastando e "escrevendo", TEM UM PALEATIVO.
TEM QUE TREINAR ANTES, MAS É BOA: mantenha o giro do motor, até acelere um pouco. Com o pé esquerdo vá baixando as marchas e, com o direito mantenha a ação no freio traseiro. O que segurará a moto será a redução de marchas no motor, e o freio somente servirá como controle do giro do motor. (tipo técnica de supermotard). Vá com calma , leva tempo para dominar. O freio da mão é normal, cuidando para não travar.

16- Independente da sua velocidade de tocada, a distância segura do carro/moto da frente sempre será no mínimo de 3 segundos, é o tempo que você leva para acionar os freios. Messa um ponto por onde o veículo da frente passou e conte 1001, 1002, 1003, voce deverá estar passando pela referência 3 segundos depois. Na chuva terá que ser X 3, ou seja: 9 segundos.

17- Freiar em curva com a moto inclinada , pouco irá te ajudar, (exceto quem toca muito, muito mesmo), o normal é terra.

18- Faça uma inspeção rápida nas condições da moto , sempre que for andar após um período parado, pneus, corrente, pregos, raio quebrado, bagagens solta.

19- Lembre-se: o legal da moto é quando andar te dá prazer.

20- O trânsito é lugar de amigos.

21- Não existe sinal totalmente verde para moto, tenha uma reserva de cautela.

22- Capacete e juízo na cabeça, não fazem mal algum.

23- Voce não é indestrutível.

24- Na estrada ou cidade, mantenha a visão no ponto mais longe possível, de preferência, movimente o raio de visão, uma no espelho, uma na direita , uma na esquerda e uma no centro.

25- Em uma curva média ou alta, não use toda a linha interrna da curva já no seu início, isso diminue o seu campo de visão. Se for mais fechada do que você havia calculado, ou mudar de raio, não haverá sobra de aderência para corrigir a tragetória, e fatalmente você irá abrir o final da curva pela linha de fora, PERIGOSO, se tiver um carro lá você dançou.

26- Quando for viajar principalmente, faça alguns minutos de completa consentração e "meditação", antes de iniciar a pilotagem, DÊ CHANCE PARA "OUVIR O SEU CORAÇÃO" AS VEZES O ANJINHO FALA COM A GENTE NESSAS HORAS, e mostra o melhor momento para seguir.

27- Lugar de disputa é SOMENTE , em circuitos fechados, e de preferência com médico de plantão. Estrada e cidade Necas!! Necas!! Necas!!

28- Quando viajar com muita bagagem, varias mochilas e bolças, coloque a moto bem na vertical, e vá amarrando individualmente, volume por volume. É a única maneira da sua bagagem permanecer firme.

29-"Devemos olhar no retrovisor do carro, principalmente caminhão, antes de ultrapassarmos, se vemos os olhos do motorista, é sinal que ele nos viu
E devemos sempre prevermos a atitude do outro, isto é pilotagem defensiva " by Pilboro

30-"Depois que estiver no hospital, não adianta nada você ter tido razão." By Over50.

31-"Nesse contexto, cuidado com carros com películas escuras, onde não se vê o seu motorista, nem se está te vendo, ou conversando ao celular ou com o carona, ou mudando a estação do rádio......" by Multiestrada.

32- Preparando a inclinação da tomada da curva, podemos melhorar bastante a aderência do pneu dianteiro, pode-se inclinar a moto de duas formas:

1ª - mantendo a trajetória do pneu na "mesma linha " e inclinando a moto com o corpo pendendo para o lado da tomada da curva, ou seja cabeça e ombro deslocam-se no ráio de dentro da curva. NÃO É A MAIS EFICIENTE, pois já começamos a "exigir " aderência do pneu.

2ª - mantemos a trajetória da cabeça e ombros na "mesma linha" e "viramos/soltamos" o pneu dianteiro para o lado contrário do raio da tomada da curva, isso fará com que consiga posicionar a moto na inclinação correta sem maiores esforços de aderência.

33- "Nivelar " a cabeça durante a inclinação de uma curva, também ajuda a melhorar o controle, ou seja a moto pode ficar em qualquer angulo de inclinação, a cabeça deverá ser inclinada em direção oposta, para que o olhar fique nivelado com a estrada.

34- Animais na pista, INCLUSIVE OS RACIONAIS, o mais comum é que os bipedes, corram para frente independente da proximidade do motoqueiro, então a melhor opção é corrigir a trajetória para passar por trás deles.
Já os quadrupedes tendem a ficar parados ou dar a ré, ou continuar andando em frente no trajeto que você vinha, então melhor é frear e escolher a trajetória da frente e pronunciar AIHHH MEU DEUS....

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

A Concepção que Deveríamos ter do TEMPO

Talvez um dia haveremos de compreender que o tempo é apenas a imagem em movimento da Eternidade.

Nós, que somos como meninos recém-chegados a uma ordem imensamente velha e inconcebivelmente sábia, temos a esperança de compreender um dia, o tempo.

Mas, o que é o tempo?

De uma forma bem terrena, poderíamos dizer que o tempo é duração relativa das coisas que cria no ser humano a idéia de presente, passado e futuro; período contínuo e indefinido no qual os eventos se sucedem. E mesmo assim ainda nos faltam definições.

O tempo pode ser também visto de forma científica, como o conjunto de condições meteorológicas. Mas que para este texto não vai ter tanta significação.

Pode ser ainda a período específico, segundo quem fala, de quem se fala ou sobre quem se fala. Mas que para cá se torna muito individual.

Há ainda uma outra forma de falarmos de tempo, ou seja, a época em que se vive.

Poderiamos falar do tempo em sentido da física, dos esportes, das oportunidades, etc.

O que mais importa é que o tempo é quase igual ao amor, muito se define, mas pouco se sabe sobre ele.

Não sabemos ainda como controlá-lo, como dividí-lo da forma certa, como interpretá-lo, como o prever. Quanto mais definimos o tempo, mais chegamos à conclusão de que o tempo é a definição de tempo são todas as definições e ao mesmo tempo, nenhuma.

Talvez a frase mais certa sobre o tempo seja a que citei inicialmente, que tem por autoria J.J. Benítez, o autor da série Operação Cavalo de Tróia, onde se relata a vida de Jesus Cristo segundo uma missão chefiada por um oficial da aeronáutica americana, onde se volta no tempo e este homem começa a conviver com Cristo durante boa parte de sua vida.

E ao ler esta passagem do livro me identifiquei muito com o autor, que ao escrever as supostas palavras de Cristo em tal passagem, expressa a ignorância humana a respeito do tempo.

O mais interessante é que ainda se complementa com a frase: "Quanto mais precisareis para considerar que o espaço é tão-somente a sombra fugidia das realidades do Paraíso.".

Parei para refletir chegando à conclusão de que tudo oque vivemos é mera experiência, e uma experiência muito passageira, muito mediocre enquanto seres humanos, que não conseguimos compreender a grandeza e a sabedoria da verdade.

E já finalizando, temos que o tempo, sendo a imagem em movimento da Eternidade, é o grande sinônimo da VERDADE. A verdade, verdade que nos liberta, verdade que não é superada por nada, verdade que se seguirmos seremos cada dia mais e mais felizes.

Deixemos o tempo transcorrer com a sabedoria e a tranquilidade que ele nos ensina a ter. Ele nos mostrará que o que vale é aquilo que nossos olhos ainda não estão preparados para ver, por isso tentamos medí-lo.






ARROGÂNCIA

ARROGÂNCIA

O diálogo abaixo é verídico, e foi travado entre um navio da Marinha Norte Americana e as autoridades costeiras do Canadá, próximo ao litoral de Newfoundland.

Os americanos começaram na maciota:

- Favor alterar seu curso 15 graus para norte para evitar

colisão com nossa embarcação.

Os canadenses responderam de pronto:

- Recomendo mudar o SEU curso 15 graus para sul.

O americano ficou mordido:

- Aqui é o capitão de um navio da Marinha Americana.

Repito, mude o SEU curso.

Mas o canadense insistiu:

- Não. Mude o SEU curso atual.

O negócio começou a ficar feio.

O capitão americano berrou ao microfone:

- ESTE É O PORTA-AVIÕES USS LINCOLN, O SEGUNDO MAIOR NAVIO DA FROTA AMERICANA NO ATLÂNTICO. ESTAMOS

ACOMPANHADOS DE TRÊS DESTROYERS, TRÊS FRAGATAS E NUMEROSOS NAVIOS DE SUPORTE. EU EXIJO QUE VOCÊS MUDEM SEU CURSO 15 GRAUS PARA NORTE, OU ENTÃO TOMAREMOS CONTRAMEDIDAS PARA GARANTIR A SEGURANÇA DO NAVIO.

E o canadense respondeu:

- Aqui é um farol, câmbio!

Às vezes a nossa arrogância nos faz cegos...

quantas vezes criticamos a ação dos outros quando, na

verdade, nós é que deveríamos mudar o nosso rumo...

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Humildade (Lao Tsé)

"Aquele que conhece os outros é sábio.
Aquele que conhece a si mesmo é iluminado.
Aquele que vence os outros é forte.
Aquele que vence a si mesmo é poderoso.
Aquele que conhece a alegria é rico.
Aquele que conserva o seu caminho tem vontade.

Seja humilde, e permanecerás íntegro.
Curva-te, e permanecerás ereto.
Esvazia-te, e permanecerás repleto.
Gasta-te, e permanecerás novo.

O sábio não se exibe, e por isso brilha.
Ele não se faz notar, e por isso é notado.
Ele não se elogia, e por isso tem mérito.
E, porque não está competindo, ninguém no mundo
pode competir com ele."

***Lao Tsé - Tao Te Ching***



Mas não se esquecer: "A humildade é uma virtude interessante, quando dizemos que a temos, já a perdemos".

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

A Margem Crítica

A vida exige de nós tudo o que temos a oferecer. No dia a dia, seja no trabalho, nos estudos, até mesmo no lazer, devemos não só deixar que a vida exija de nós, mas também devemos oferecer atingindo assim a nossa margem crítica.

Mas afinal, de onde vem essa expressão, qual a profundidade que devemos dar à nossa margem crítica?
A margem crítica pessoal é o limiar de todas as nossas emoções e capacidades. Existe uma linha tênue entre a margem crítica e o estopim para os erros desencadeados que podemos cometer a qualquer hora.

Deve-se observar a margem crítica como observa-se o treinamento realizado no budô (caminho do guerreiro na cultura oriental). Muitas das técnicas aplicadas no uke (aquele que recebe as técnicas, aquele em que são aplicadas as técnicas) são capazes de matar uma pessoa em milésimos de segundo, mas o nague (aquele que aplica as técnicas), tem de ter o máximo respeito e cuidado com o corpo do companheiro para que não o machuque. Assim, cria-se uma margem crítica entre os dois, de modo a não deixar de lado a necessidade da prática de um, e nem a integridade física do outro.

Margem crítica é um conceito passível de aprimoração em nossa vida pessoal (com nossa família, amigos e demais pessoas com quem convivemos). Um dos grandes desafios do homem moderno é conter os sentimentos diante de tanta carga de informação e responsabilidade que lhe é atribuída. Aí vem a ação da sabedoria que se deveria adquirir com o aprimoramento da margem crítica. Entrar no limite entre a falta de controle e a satisfação em fazer aquilo que devemos fazer, mesmo que sob circunstâncias incompatíveis com nossas capacidades.

É saber andar nesta margem que nos permitirá lidarmos com os problemas de forma "letal" (termo que apesar do peso do significado, vale a pena ser dito neste caso), não deixando espaço para que sejamos levados pelas adversidades e de maneira a que também não precisemos falsear nossos sentimentos e problemas, já que fazendo isso estariamos prejudicando a ninguém mais niguém menos que nós mesmos.

Continua...

Reverência pelas coisas sagradas

Precisamos do sagrado para entender aquilo que a ciência não explica. Aqui mais uma virtude cardeal pela qual devemos nos orientar, tornado-nos assim, pessoas mais tranquilas e de bem umas com as outras.



Reverência pelas Coisas Sagradas

“Para além de todo o “inteligir” está o “intuir”, que é uma vivência íntima; está o “saber”, que é um “saborear” direto e imediato. Em última análise, o homem só sabe aquilo que ele vive e o que ele é. Para essa vivência íntima do espírito de Cristo necessitamos de um grande silêncio – silêncio material, mental e emocional; e, mais do que isto, de uma profunda contemplação interior.”.

Humberto Rohden

O Sermão da Montanha; Introdução.

Antes de analisarmos qualquer aspecto mais profundo desta virtude, que por sinal é uma das virtudes mais antigas da humanidade, devemos entender o significado em separo de cada parte desta expressão.

Reverência em primeiro, significa um temor respeitoso, bem como uma veneração pelo desconhecido, mas imponente poder de algo divino. É antonímia de desprezo.

Sagrado é tudo que tem relação ou que se refere a Deus, ao Divino, ao Inviolável devido ao valor sacrossanto que tem.

Com estas breves definições iniciais, é possível ter uma idéia do “peso” que esta virtude tem, a começar por sua própria morfologia. É um tanto até que repetitiva a expressão Reverência pelas Coisas Sagradas. Mas esta necessária repetitividade se torna um aviso e um chamamento que todo DeMolay tem ao entrar na Ordem, que diz respeito à responsabilidade em manter o respeito pela religião tanto própria quanto a que não pratica.

Agora que refletimos brevemente sobre a essência da expressão que define esta virtude podemos volver nossa concentração para a definição de Humberto Rohden. Antes, vale ressaltar que Humberto Rohden é um grande filosofo e teólogo brasileiro, tendo suas obras publicadas em vários países e é considerado um dos ícones da teologia e filosofia do século XX.

A reverência pelo sagrado que buscamos, é no fundo uma vivência com o divino, que desconhecemos, mas buscamos com todas as nossas forças. Isto se chama fé. A fé é o combustível que move nosso sentimento e vontade de inteligir e intuir, sobre o saber e o saborear do qual Rohden se refere. Embora um tanto quanto complexo de se entender e meio abstrato, basta que reflitamos um momento sobre a história do homem na terra e tudo oque ele ainda não conseguiu explicar, e que talvez nem tenha perspectivas sobre quando ele poderá.

Apesar de falar de Cristo, Rohden nos dá uma definição graciosa sobre a necessidade que temos de nos conectar com a divindade, e como devemos fazer para que isto aconteça.

Deve assim, haver o silêncio material, mental e emocional para si. Complicado é de aprofundarmos este aspecto aqui, já que precisaríamos de um estudo teológico extenso para que tivéssemos idéia de como é vivenciar isto. A vivência do Sagrado é algo que se adquire com o passar da vida, aqui nosso objetivo é mais humilde, sendo ele somente o de passar uma noção do quanto o respeito por aquilo que é sagrado tem relevância em nossa vida.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Amor Filial

Comentários meus sobre a virtude do Amor Filial.

Amor Filial

“Entre as sete grandes luzes sagradas da Ordem DeMolay, existe uma que primazia nesta constelação: uma virtude que se baseia na amizade, na confiança e no respeito, e mesmo assim, ainda é algo encarado como uma lenda, a lenda do amor sem a razão de existir, a lenda do Ágape.”

Cerimônia do Abraço

Palavras do Orador.

Um dia havemos de estar sentados no mesmo lugar de nossos pais, passaremos pelas mesmas angústias e alegrias, pelas dores e alívios pelas quais passaram.

O DeMolay consciente e praticante disso tem em sua mente, inculcada a virtude do Amor Filial. Saber que um dia nos colocaremos na posição de pais é uma verdade que apesar de não provável é de se esperar. Devemos inicialmente, ao refletir sobre o Amor Filial, o quanto nossos pais podem ser, e o quanto tem sido perseverantes diante das adversidades que o mundo lhes impõe, o quanto lutam para terem cada vez mais a confiança de seus filhos e para garantir um futuro digno e confortável para nós.

A virtude do Amor Filial, a mais básica e a mais sábia, porém a que muitas vezes seria a mais ignorada ao tratarmos do sentimento entre os pais e os filhos.

Das virtudes, dizemos que esta é a que surge diante de nós antes mesmo de sermos admitidos no mundo terreno e que permanece conosco até mesmo depois de alcançarmos o ocaso da vida. Ainda que julguemos a mais pétrea de todas, temos de admitir que a grande carga colocada sobre esta virtude seria o que a torna mais fácil de não seguir, desanimando aqueles que se enfraquecem ao se entregar ao desestímulo das dificuldades em lidar com as adversidades familiares, de facilitar com que erremos sem muitas vezes perceber que contradizemo-nos em nossas palavras e ações para com nossos pais.

Em nossa jornada como DeMolays aprendemos que a obediência, a caridade, a boa vontade e o altruísmo para com nossos familiares, mais especificamente para com nossos pais devem ser presentes o tempo todo, e que o reflexo da prática desta virtude deva ser cada vez maior entre nós. É em nossa ansiedade para atingirmos nossa maioridade (ainda que de forma abstrata) que muitas vezes nos leva a falha diante de nossos pais e familiares.

Um DeMolay deve procurar, através da humildade, a redenção diante de seus pais pela correção de seus erros e faltas, procurando como sempre dizemos, ser um melhor filho e retribuindo todo o amor e os cuidados que seus pais lhe dedicam.

A base do amor é a generosidade, é ela que nos faz tolerantes e eximidos do egoísmo, para que enquanto virtude. Os antigos filósofos chamavam o amor entre pais e filhos de amor de ágape.

O ágape é um amor criador. O amor divino não se dirige ao que já é em si digno de amor; ao contrário, ele toma como objeto o que não tem nenhum valor em si e lhe dá um valor. A ágape nada tem em comum com o amor que se funda na constatação do valor do objeto a que se dirige [como faz erôs, mas como também faz philia, quase sempre]. A ágape não constata valores, cria-os. Ele ama e, com isso, confere valor. O homem amado por Deus não tem nenhum valor em si; o que lhe dá um valor é o fato de Deus amá-lo. A ágape é um princípio criador de valor. [1]

Assim definimos bem o amor filial, é um amor que mesmo não sendo merecido, existe. E existe não só porque nossos pais tem o suposto “dever” de nos amar, mas porque se é criado um amor em torno disso, e como a filosofia diz, o ágape é o princípio criador deste amor. É este princípio que conferencia a centelha de vida que nos mantém ligados aos nossos pais.

Não nos é difícil acontecer de presenciarmos episódios, mesmo que de vidas alheias, onde filhos são tidos como maltratados pelos pais raivosos e digamos às vezes, possessivos com as atitudes de seus filhos, onde estes acabam por puni-los de forma muitas vezes violenta. Mas é aí que entra o princípio de ágape, onde o amor, embora não muito fácil de ser visualizado por nós em certos momentos, existe, mesmo diante a punição, da raiva e da possessividade de nossos pais. É inegável que o valor do amor que parte de nossos pais seja inescrupuloso e indagável, este amor não morre, sempre nos protegerão, sempre nos apoiarão e sempre nos amarão incondicionalmente, mas cada um à sua maneira. Mas falar da maneira como somos tratados ou tratamos aos outros é assunto da tolerância e da cortesia, que não nos cabe falar agora, mesmo que indispensáveis e inerentes ao amor filial.

Como dito, diante da inépcia, ou seja, as ações incoerentes, dos filhos, os pais se mostram impulsivos, elevam a voz, indignam-se – em suma, caem na mesma tendência de descaso que o filho, muitas vezes inconscientemente cai.

Diante dessas situações o exercício do amor filial vem pela tolerância, é certo que acima, havia dito não falar da tolerância enquanto falo de Amor Filial, mas nos é necessário entender que as virtudes são um conjunto e devem umas reforçar às outras. Sendo assim, nos é válido salientar que precisamos tomar medidas que deixem com que nossos pais se tornem mais hábeis e maleáveis emocionalmente, diante de erros que cometemos.

É claro que a melhor medida para que exercitemos nosso amor filial é como dito acima, a obediência, a amabilidade e a consideração. Mas nem sempre acertamos enquanto filhos. A principal lição que devemos exercitar diante de nossos próprios erros é a da consciência e da auto-análise. Somente assim poderemos tomar medidas que nos façam filhos melhores diante de pais indignados com os nossos equívocos.

Para que tomemos em consideração a relevância de nossos erros diante da empatia e humor de nossos pais, é necessário nos conhecer e termos a convicção plena de nossos deveres enquanto filhos, mesmo que seja duro e que nos tome tempo. Diria isso para todos os aspectos de nossas vidas nos quais não pretendemos nos dar ao luxo de errar.

Comece lembrando de todas as virtudes que nos seguem, lembre-se do seu dever enquanto DeMolay, das promessas feitas à Deus e aos seus irmãos durante sua iniciação. Lembre-se que precisará sempre de seus pais, mesmo que somente por carência de afeto. É claro que não podemos deixar de lado o fato de existirem famílias com problemas peculiares, e que cada família tem seus problemas em particular. O importante é termos a consciência não só de nós mesmos, como já disse, mas termos consciência também de nossa situação familiar.

Nossas atitudes são moldadas pelo meio em que vivemos e pelas pessoas com quem convivemos, a Ordem DeMolay está para nos ajudar neste molde. A lição do amor filial é uma lição de aprendizado eterno e de perfeição inalcançável. Por mais que tentemos não conseguiremos ser filhos perfeitos, mas se não tentarmos não poderemos nos denominar assim.

Lembremos que o amor de nossos pais prevalece em qualquer circunstância, e que o nosso amor por eles deve ser recíproco e melhorado se possível, sempre de maneira a retribuir até mesmo oque ainda não fizeram por nós.

Nossa fraternidade homenageia nossas mães (na cerimônia das flores) como símbolo máximo do Amor. Da mesma forma (na cerimônia do abraço) reverenciamos nossos Pais.[2]

Demo-nos ao respeito para com nossos pais, já que é provável que um dia, nos dedicaremos a tão honroso e sagrado ofício, que diante do Pai Celestial é uma dádiva e um presente para o homem e símbolo do sucesso obtido em sua vida como ser humano.



[1] André Comte-Sponville; cit. Nygren. Pequeno Tratado das Grandes Virtudes. Martins Fontes. 1999.

[2] Cerimônia do Abraço, Cerimônias Especiais, SCODRFB. 2006.